Terça-feira, 15 de Julho de 2008

E3 2008: A ideia multidimensional de Fable II.

 

Peter Molyneux tem o dom da persuasão. O inglês consegue convencer o público que uma maçã vale a macieira completa. Foi o caso com a suposta oitava maravilha do mundo digital, Fable. Tido como grande estrela do catálogo de RPGs em 2004, o título da Lionhead Studios cumpriu as premissas básicas, mas desiludiu aqueles que esperavam uma revolução no género. Admito que Fable não foi o ‘Project Ego’ que Molyneux prometeu, mas gostei do épico da Xbox. A mecânica de escolhas éticas, uma aventura interessante e incrivelmente pessoal, e escolhas felizes no departamento sonoplasta, confirmaram uma estadia longa do disco na minha caixa negra.

Grande parte do espírito, medieval e fantasioso, continua presente no código genético de Fable II. A oportunidade de viver cada acção da personagem, com uma interacção definitiva e importante do jogador, será o maior desafio da Lionhead, nesta sequela prevista para Outubro deste ano. Aliás, a maior crítica possível ao original está na interpretação díspar das opções do aventureiro. Parece que Molyneux viu o mundo através duma lente bicromática. Podia levar a minha personagem aos picos do mal, ou torná-la na materialização da santidade. Não havia meio-termo.

A habilidade narrativa do enredo, linear mas competente, disfarçou as restantes arestas e pintura fresca, mas o sabor agridoce continua a gerar discussão entre a comunidade.

Felizmente, a Lionhead foi sensível á critica geral, demonstrando uma capacidade de encaixe digna de registo. Melhor, Fable II poderá ficar marcado pela evolução de um sistema de valores e acções, completamente redesenhados. Além da epopeia, lendária mas simplista, do bem e do mal, o jogador poderá ter os seus feitos julgados por diferentes critérios. Ou pelo menos mais expansivos. Amabilidade, corrupção e crueldade, serão características aplicáveis na nova aposta exclusiva para Xbox 360.

Mais uma vez, a E3 terá um papel fundamental para objectivar o trabalho dos senhores da Lionhead, já que a informação disponível ainda deixa um pouco a desejar.

As perspectivas são justamente positivas. Espero um título mais maduro, ambicioso e ajustado ao seu período de concepção. Peter Molyneux tem a oportunidade única, de redenção perante uma determinada fatia de público, e de assumpção duma postura discutível, mas útil e necessária ao panorama criativo actual.

 

Por agora, proponho o trailer saído da conferência da Microsoft, na cidade dos anjos.

 

 

mood: com alguma idade.
a jogar: nada de momento...
artigo por Daniel Costa às 13:16
link do post | comentar | favorito

.pesquisar

 

.posts recentes

. Mudança de casa...

. Em stand-by...

. Primeira impressão: Proje...

. Tinta e voz contra a opre...

. O fado luso pela 'voz' da...

. A irreverência e os pente...

. Crónicas de um desafio an...

. E3 2008: Xbox 360 para to...

.o autor

Apaixonado crónico pelo mundo dos videojogos, indústria incluída, Daniel Costa assume a adição precoce, sem complexos. Adepto da escrita livre como meio de expressão primário, o jogador passou por várias publicações, como a ene3 e DSGaming (UK). Actualmente, é gestor de produto júnior na Nintendo/Concentra, e analista e colunista na Xbox Portugal e N-Portugal, em part-time. O autor do blogue pessoal Now Loading deseja boa estadia ao leitor. Também tem o hábito de assinar biografias na terceira pessoa.

.Agosto 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
31

.arquivos

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.links

.tags

. xbox 360(14)

. nintendo(8)

. ps3(8)

. acção(7)

. capcom(7)

. ps2(7)

. sega(7)

. ainda não jogou(6)

. e3(6)

. análise(5)

. trailer(5)

. wii(5)

. anos 90(4)

. artigo(4)

. japão(4)

. microsoft(4)

. playstation(4)

. retro(4)

. shooter(4)

. beat'em'up(3)

. todas as tags

.subscrever feeds