Domingo, 22 de Junho de 2008

Zero Vidas: N-Gage.

 

Estimado leitor, apresento a mais recente rubrica especializada do NowLoading: Zero Vidas. Neste espaço poderá ler opiniões retrospectivas ligadas a fracassos e decepções na sazonada indústria dos videojogos. Sim, é a forma semi-mórbida que encontrei para bater mais e mais no ceguinho. O adepto masoquista aprovará a ideia, certo?

No primeiro capítulo da saga, que se quer longa e de interesse, decidi ressuscitar a primeira (e única) auto-denominada gamedeck da história, a N-Gage da finlandesa Nokia.

  

A N-Gage, lançada no mercado Europeu a 7 de Outubro de 2003, transpirava arrogância e uma procura louca de inovação. A Nokia pretendia que a sua primeira fusão entre um telefone móvel, uma consola portátil e um leitor de música dominasse o mercado com uma única premissa: uma mescla imbatível de entretenimento e diversão. Pois a brincadeira não correu muito bem. Com o Game Boy Advance extremamente bem instalado nos bolsos dos consumidores, a Nintendo garantiu supremacia nessa fatia de mercado. Claro que a Nokia se tentou desmarcar da imagem de uma “simples” consola, aliás, que máquina nipónica permitia um joguinho rápido de Tomb Raider depois daquela chama telefónica importante? Bem, não fossem os erros de design e estratégica clamorosa, provavelmente ainda teríamos uma N-Gage a espernear por esse mercado fora. Ou não. É que para além de obrigar o utilizador a falar para o speaker com se de um tijolo se tratasse – colocando a gamedeck na vertical mas longe do ouvido – o catálogo de jogos era completamente desinteressante.

Um dos maiores trunfos por alturas do lançamento era Pandemonium, uma adaptação dúbia do original Playstation, que não foi o chamariz e “vendedor de consolas” pretendido. Outras translações pouco conseguidas como o já referido Tomb Raider, o primeiro título da série Tony Hawk’s Pro Skater, ou mais tarde o materializar da degradação do 3D no pequeno ecrã com orientação vertical, Splinter Cell.

O preço elevado de hardware, software, aspecto arcaico e pouco atractivo e concorrência implacável foram os pregos finais no caixão N-Gage.

Muitos (dos poucos) consumidores fieis á Nokia, queixaram-se da não integração de um câmara fotográfica na máquina. A resposta da companhia nórdica? Assumir a falta de ambição e respeito pelo comum utilizador ao lançar um novo modelo, a N-Gage QD.

Infeliz dono da última versão – que, para o registo, me foi oferecida – fiquei desapontado com a remoção de suporte para headphones e falta da citada câmara. As únicas mudanças significativas estavam no aspecto mais centrado e de melhor acesso ás teclas e, finalmente, a possibilidade de usar o telefone perto da bela orelha, como os restantes humanos do planeta.

Salve-se o dinheiro que investi em Bomberman e One, únicos jogos em que consegui sugar diversão esporádica e momentânea.

Tendo em conta o comportamento deplorável dos dois modelos da N-Gage (apenas 2 milhões de unidades vendidas a nível mundial em quase cinco anos), a insistência da Nokia no produto é de facto assinalável. Saiba que a companhia passou a disponibilizar um serviço de descarregamento de títulos para vários telefones Nokia mais recentes.

Portanto, se ainda está interessado na desgraça do passado ou ficou curioso, faça favor de comprar as obras mais significativas através do portal oficioso do projecto.

 

Como sobremesa azeda, ofereço um festival de mediocridade em formato de vídeo; o alinhamento N-Gage/QD.

 

 

mood: ninja!
a jogar: et: quake wars, ninja gaiden 2
artigo por Daniel Costa às 12:31
link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De Silent a 22 de Junho de 2008 às 22:28
Concordo com cada letra desta review...também sou o infeliz dono de um N-gage QD...o unico jogo que adorei foi o Worms!!!
De luxxx a 23 de Junho de 2008 às 20:08
Uma tristeza, de facto. O único jogo N-Gage que achei graça foi Pathway to Glory.

E o local do altifalante do primeiro deck foi dos maiores erros de design da história. Coisa mais horrorosa... uma orelhinha de elefante.
De Silent a 25 de Junho de 2008 às 09:40
Era o magnífico sidetalkin'!!! Até existe um site dedicado a esse fenómeno :) http://www.sidetalkin.com/

Comentar post

.pesquisar

 

.posts recentes

. Mudança de casa...

. Em stand-by...

. Primeira impressão: Proje...

. Tinta e voz contra a opre...

. O fado luso pela 'voz' da...

. A irreverência e os pente...

. Crónicas de um desafio an...

. E3 2008: Xbox 360 para to...

.o autor

Apaixonado crónico pelo mundo dos videojogos, indústria incluída, Daniel Costa assume a adição precoce, sem complexos. Adepto da escrita livre como meio de expressão primário, o jogador passou por várias publicações, como a ene3 e DSGaming (UK). Actualmente, é gestor de produto júnior na Nintendo/Concentra, e analista e colunista na Xbox Portugal e N-Portugal, em part-time. O autor do blogue pessoal Now Loading deseja boa estadia ao leitor. Também tem o hábito de assinar biografias na terceira pessoa.

.Agosto 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
31

.arquivos

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

.links

.tags

. xbox 360(14)

. nintendo(8)

. ps3(8)

. acção(7)

. capcom(7)

. ps2(7)

. sega(7)

. ainda não jogou(6)

. e3(6)

. análise(5)

. trailer(5)

. wii(5)

. anos 90(4)

. artigo(4)

. japão(4)

. microsoft(4)

. playstation(4)

. retro(4)

. shooter(4)

. beat'em'up(3)

. todas as tags

.subscrever feeds